Tradição Católica em Ariquemes, RondôniaFé • Formação • Oração • Missão
Brasão da Missão Regnum Mariae
Missão Católica
Missão Regnum Mariae
Para que venha o Reino de Cristo, venha o Reino de Maria
Monsenhor André Jean Marie Hamon

Frequentar a Sociedade

Décima Sétima Semana depois de Pentecostes

Meditação espiritualMonsenhor André Jean Marie Hamon
Jesus ensina a humildade durante uma refeição na casa de um fariseu

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas 14, 1-11

Naquele tempo, 1 tendo entrado Jesus, a um sábado, em casa de um dos principais fariseus para comer uma refeição, todos o observavam. 2Achava-se ali, diante dele, um hidrópico.

3Jesus, dirigindo a palavra aos doutores da Lei e fariseus, disse-lhes: «É permitido ou não curar ao sábado?» 4Mas eles ficaram calados.

Tomando-o, então, pela mão, curou-o e mandou-o embora. 5Depois, disse-lhes: «Qual de vós, se o seu filho ou o seu boi cair a um poço, 6não o irá logo retirar em dia de sábado?» E a isto não puderam replicar.

7Observando como os convidados escolhiam os primeiros lugares, disse-lhes esta parábola:

8«Quando fores convidado para um banquete, não ocupes o primeiro lugar; não suceda que tenha sido convidado alguém mais digno do que tu, 9venha o que vos convidou, a ti e ao outro, e te diga: ‘Cede o teu lugar a este.’ Ficarias envergonhado e passarias a ocupar o último lugar.

101Mas, quando fores convidado, senta-te no último lugar; e assim, quando vier o que te convidou, há-de dizer-te: ‘Amigo, vem mais para cima.’ Então, isto será uma honra para ti, aos olhos de todos os que estiverem contigo à mesa. 11Porque todo aquele que se exalta será humilhado, e o que se humilha será exaltado.»

Meditação para o 16º Domingo depois do Pentecostes

SUMARIO

Meditaremos sobre o Evangelho do dia, e aprenderemos:

1.° Às razões, em que costumamos fundar-nos para frequentar a sociedade;

2.° Como devemos portar-nos na sociedade.

— Tomaremos depois a resolução:

1.° De não frequentarmos a sociedade sem alguma sólida razão de utilidade ou de decoro;

2.° De usarmos, quando a frequentarmos, de muita reserva e modéstia, caridade e discrição.

O nosso ramalhete espiritual será a palavra de São João:

“Não ameis ao mundo nem ao que há no mundo” – Nolite deligere mundum neque ea quae in mundo sunt (Jo 2, 15)

Meditação para o Dia

Adoremos Jesus Cristo em casa de um príncipe dos fariseus, onde o levam dois motivos: a caridade e o zelo; a caridade, para curar um pobre hidrópico, que lá se achava; o zelo, para dar um lição de humildade a todas as pessoas da casa. Admiremos os motivos tão santos desta visita, e imploremos-Lhe a graça de não termos também senão santos motivos nas nossas visitas.

PRIMEIRO PONTO

Razões em que costumamos fundar-nos para frequentar a sociedade

Quatro motivos podiam levar-nos a frequentar a sociedade: o prazer, a necessidade, a caridade, o zelo.

Frequentar a sociedade por prazer, é imprudência, é cair voluntariamente no perigo: porque o trato social é cheio de perigos; não é senão dissipação, luxo, vaidades, maledicências, máximas opostas ao Evangelho, corrupção de costumes, sedução dos sentidos, completo esquecimento da salvação. Ora o Espírito Santo disse:

“O que ama o perigo, perecerá nele” – Qui amat periculum, in illo peribit (Ecl 3, 27)

Frequentar a sociedade por necessidade de negócios, de posição ou de decoro, é licito, contanto que não ultrapassemos os limites desta necessidade, confundindo-os com os nossos gostos ou o nosso amor do prazer, e desconfiemos de nós mesmos, sejamos reservados, modestos, caritativos e discretos; então Deus nos ajudará a não O ofendermos.

Frequentar a sociedade por caridade, para obsequiar, socorrer, consolar, aliviar, é coisa louvável; e se os homens nos censurarem, Deus nos recompensará.

Finalmente, frequentar a sociedade por zelo, para fazer uma boa obra, para ganhar à religião um homem que dela se afastou, para reconciliar inimigos, é melhor ainda, contanto que empreguemos as precauções de prudência, de modéstia, e a reta intenção que devem acompanhar sempre as boas obras.

Examinemos se só frequentamos a sociedade nestas condições.

SEGUNDO PONTO

Como devemos portar-nos na sociedade

1.º Devemos portar-nos com muita reserva e modéstia: porque o mesmo Jesus Cristo nela foi censurado pelos fariseus, que quiseram fazê-lo passar por glutão e bebedor de vinho, e amigo de publicanos e de pecadores (1). Observavam-o ali, diz o Evangelho (2); e é o que acontece ainda hoje na sociedade: todos ali se observam uns aos outros. Os bons observam, porque a simplicidade, que é a virtude das almas inocentes, leva-os a observar e a imitar os que julgam ser pessoas de bem: de onde se segue que devemos estar sempre precavidos, a fim de nada fazer e dizer que possa prejudicar. Uma ninharia, uma aparência, tem algumas vezes graves consequências. Os maus também observam; buscam justificar com o nosso exemplo as suas desordens, desculpar os seus maiores vícios com os nossos menores defeitos, e as suas culpáveis omissões com as nossas mais leves faltas; de onde resulta para nós a obrigação de nos portarmos de sorte que sejam reduzidos, como os inimigos de Jesus Cristo, a inventar o mal contra vós, a vê-lo onde não existe.

2.° Devemos ser na sociedade cheios de caridade. A sociedade não conhece esta virtude: o encanto das conversações mundanas é divertir-se à custa de todas as reputações. É a nós cristãos, que compete nunca entremeter uma só palavra de maledicência em todas essas conversações e desviar delas, o mais possível, semelhantes assuntos.

3.º Devemos ser ali cheios de discrição, evitar tudo o que pode ofender, todo o conselho até bom em si, mas que não agradaria, toda a aprovação positiva do que é mau ou contrário ao Evangelho; fazer tudo o, que pode ser útil, tornar a religião amável, incitar as pessoas à virtude e às boas obras, consolar os aflitos, amparar os fracos, animar as almas provadas.

Resoluções e ramalhete espiritual como acima

Referências:

(1) Ecce homo vorax et potator vini, publicanorum et peccatorum amicus (Mt 11, 19)

(2) Et ipsi observabant eum (Lc 14, 1)

(HAMON, Monsenhor André Jean Marie. Meditações para todos os dias do ano: Para uso dos Sacerdotes, Religiosos e dos Fiéis. Livraria Chardron, de Lélo & Irmão – Porto, 1904, Tomo VI, p. 194-197)

Fonte consultada

Texto de Monsenhor André Jean Marie Hamon, da obra publicada originalmente em Paris em 1881. Conteúdo consultado em Rumo à Santidade.