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Para que venha o Reino de Cristo, venha o Reino de Maria
Monsenhor André Jean Marie Hamon

A Eucaristia, Força e Consolação do Cristão

Terceira Semana depois de Pentecostes

Meditação espiritualMonsenhor André Jean Marie Hamon

Meditação para a Terça-feira na oitava do Santíssimo Sacramento

SUMARIO

Consideraremos a Eucaristia:

1.º Como a força do cristão;

2.° Como sua consolação e a sua alegria.

— Tomaremos depois a resolução:

1.º De recorrermos ao Santíssimo Sacramento nas nossas tentações, nos nossos trabalhos e desalentos;

2.° De olharmos como os instantes da vida mais venturosos e mais bem empregados os momentos, que pudermos passar na presença do Santíssimo Sacramento.

O nosso ramalhete espiritual será a palavra do Salmista:

“Quão amáveis são os vossos tabernáculos, Senhor dos exércitos! A minha alma suspira e desfalece pelos átrios do Senhor” – Quam dilecta tabernacula tua, Dominum virtutum! Concupiscit et deficit anima mea in atri, Domini (Sl 83, 2)

Meditação para o Dia

Voltemos ao santo tabernáculo: prostremo-nos com todos os sentimentos de respeito e de amor diante do nosso Deus todo abrasado em amor por nós (1). Louvor, amor, benção ao Cordeiro imolado.

PRIMEIRO PONTO

A Eucaristia é a Força do Cristão

A experiência demonstra-nos esta verdade: é a Eucaristia, que tem dado aos mártires o valor para arrostar os tormentos e a morte; é a Eucaristia, que dá à virgem cristã a dedicação para socorrer todas as misérias humanas nos hospitais, nos campos de batalha, apesar dos perigos da peste e de mil outros: a alma que vê um Deus dar-Se todo inteiro a ela, sente que é justo, que ela se dê também toda inteira a Ele; não só O deseja, mas O quer tão firmemente, que se acha alegria nos sacrifícios e força para vencer todos os obstáculos. O que me come, diz Jesus Cristo, viverá eternamente (Jo 6, 59); tirará de mim a força para alcançar a vida eterna (2). E enquanto a Eucaristia torna o cristão mais forte, elevando-o acima de si mesmo, algumas vezes às mais sublimes virtudes, torna mais fraco o inimigo da salvação: porque, dizem os concílios e os Padres, ela modera o fogo das paixões e diminui o ardor da concupiscência. São fatos provados pela experiência; enquanto frequentamos os Sacramentos, persistimos no bem; apenas os abandonamos, relaxamo-nos, entibiamo-nos, caímos em culpa. A alma privada do alimento, que é a sua força e a sua vida, desfalece e morre.

SEGUNDO PONTO

A Eucaristia é a Consolação e a Alegria do Cristão

Que triste se ia a vida sem a Eucaristia! As nessas igrejas nada teriam já que nos falasse ao coração, nem a que o coração pudesse falar. O mundo inteiro não seria mais que um desterra, sem nenhuma memória da nossa pátria, que é o céu. Todas as penalidades da vida seriam sem consolador, as trevas sem luz, as dúvidas sem conselho. Mas pela Eucaristia, tudo se muda em alegria e felicidade. As nossas igrejas tornam-se um paraíso, onde a alma vem gozar de antemão as delícias do céu e cantar com o Salmista:

“Quão amáveis são os vossos tabernáculos, Senhor dos exércitos! A minha alma suspira e desfalece pelos átrios do Senhor”

É ali que se acha o antegosto da pátria. Quando Vos possuímos, ó meu Deus! Temos tudo; e o coração contente nada mais tem a desejar (3). Nós lemos no Antigo Testamento, que Anna, mãe de Samuel, só achava consolação, quando ia desafogar o seu coração aflito diante da arca do Senhor; quanto mais verdadeira consolação achamos nós aos pés da nossa divina arca, que é Jesus Sacramentado, quando lemos alguma aflição ou necessidade urgente! Nunca nos chegamos a Ele com fé e confiança, que não sejamos consolados (4). Os homens só são consoladores importunos, dizia Jó (5). Mas Vós o Deus dos nossos tabernáculos, Sois o verdadeiro consolador; reanimais o coração desfalecido, alegrais a alma aflita, e fazeis que lhe volte a tranquilidade e a paz. Oh! Quanta razão tínheis para dizer:

“Vinde a mim todos os que andais em trabalho e vos achais carregados, e eu vos aliviarei?” – Venite ad me, omnes qui loboratis et onerati estis et ego reliciam vos (Mt 11, 28)

A alma, que vai expôr-Vos as suas dores com simplicidade, como um amigo a um amigo, como um filho a seu Pai, sai sempre de junto de Vós consolada; e os que não vêm desafogar as suas aflições diante dos Vossos tabernáculos, privam-se das maiores delícias da vida.

Resoluções e ramalhete espiritual como acima

Referências:

(1) Venite, adoremus, et procidamus… ante Dominum (Sl 94, 6)

(2) Qui manducat meam carnem et bibit meum sanguinem, bibet vitam aeternam (Jo 6, 55)

(3) Quid mihi est in caelo? Est a te quid voli super terram (Sl 72, 25)

(4) Accedamus cum vero corde in plenitudine fidei (Hb 10, 22)

(5) Consolatores onerosi (Jó 16, 2)

(HAMON, Monsenhor André Jean Marie. Meditações para todos os dias do ano: Para uso dos Sacerdotes, Religiosos e dos Fiéis. Livraria Chardron, de Lélo & Irmão – Porto, 1904, Tomo III, p. 170-173)

Fonte consultada

Texto de Monsenhor André Jean Marie Hamon, da obra publicada originalmente em Paris em 1881. Conteúdo consultado em Rumo à Santidade.