«Eu estou à porta e bato (Ap 3, 20)
Ó Pastor amantíssimo, não contente com Vos sacrificardes sobre o altar da cruz por amor de Vossas ovelhas, quisestes ainda ficar nas igrejas, oculto sob os véus da Eucaristia, a fim de estardes mais perto de nós e poderdes bater sempre à porta de nossos corações e obterdes entrada. Ah! Soubesse eu gozar da Vossa presença, como o sabia vossa santa Esposa, que vos dizia nos Cânticos:
«Assentada estou à sombra daquele por quem tanto havia suspirado» (Ct 2, 3)
Ah! Se eu Vos amasse, se Vos amasse verdadeiramente, ó amabilíssimo Jesus Sacramentado, então sim todo o meu desejo seria ficar dia e noite, sem cessar, ao pé dum cibório; e aí, bem perto de Vós e imóvel na presença de Vossa majestade velada sob as espécies sagradas, eu também gozaria dessas delícias celestes e dessa felicidade inefável que gozam as almas inflamadas de amor para conVosco!
Atraí-me, eu vôlo rogo, atraí-me pelo odor de Vvossas perfeições e pelo amor imenso que manifestais neste Sacramento. Atraí-me; em Vosso seguimento corremos ao odor dos vossos perfumes (Ct 1, 3).
Sim, Salvador meu, abandonarei todas as criaturas e todos os prazeres da terra, para correr ao Sacramento que Vos encerra. Os Vossos filhos serão como oliveiras novas em tomo da vossa mesa (Sl 127).
Oh! Que frutos de virtudes não dão a Deus essas almas felizes, que, semelhantes a plantas tenras, circundam os vossos amados tabernáculos! Mas eu, ó meu Jesus, tenho vergonha de aparecer diante de Vós, tão despido e vazio de virtudes. Ordenastes que ninguém se aproxime do altar, com intenção de Vos honrar, sem Vos fazer alguma oferta:
«Não aparecerás em minha presença com as mãos vazias» (Ex 23, 15)
Que devo então fazer? Deixar de visitar-Vos? Oh, não; isso Vos desagradaria. Virei, pois, pobre como sou, e Vós mesmo, Senhor, me fornecereis os dons que quereis receber de mim. Porquanto, eu bem sei que permaneceis neste Sacramento não só para recompensar os Vossos amigos, mas ainda para repartir com os pobres os Vossos bens. Começai, pois, desde hoje.
Adoro-Vos, Rei do meu coração e verdadeiro amante das almas, Pastor terníssimo para com as Vossas ovelhas; eu hoje me aproximo desse trono do Vosso amor, e, não tendo outra coisa que Vos oferecer, apresento-Vos o meu miserável coração, a fim de que seja consagrado inteiramente a Vos amar e fazer a Vossa vontade.
Com este coração eu posso Vos amar; com este coração eu quero Vos amar, quanto me for possível. Atrai-o, portanto, para Vós, uni-o tão estreitamente à Vossa vontade, que de hoje em diante eu possa dizer com o Vosso caro discípulo que estou preso pelos laços do Vosso amor:
«Eu, Paulo, cativo de Jesus Cristo» (Ef 3, 1)
Uni-me todo a Vós, Senhor, e fazei que eu me esqueça de mim mesmo, para que chegue um dia a perder tudo e a mim mesmo, para Vos achar a Vós só, amando-Vos sem fim. Amo-Vos Senhor meu Sacramentado; a Vós me apego, a Vós me uno; fazei que Vos encontre e Vos ame, e não Vos separeis mais
Jaculatória — Ó meu Jesus, Vós só me bastais.
Agora reza-se a Comunhão Espiritual
