A Santa Igreja, no Ofício do Santíssimo Sacramento, canta estas belas palavras:
«Nenhuma nação, por maior que seja, tem os seus deuses tão perto de si como o nosso Deus está perto de nós» (Dt 4, 7)
Quando os pagãos ouviam falar das obras de amor do nosso Deus, exclamavam: Oh! Como é bom o Deus dos cristãos! E com efeito, percorrei a história e vereis que, embora os pagãos inventassem divindades à medida de seus desejos, nunca chegaram a imaginar um Deus tão cheio de amor pelos homens como o nosso verdadeiro Deus. Para testemunhar o Seu amor aos que O adoram, e enriquecê-los com Suas graças, dignou-se este Deus tão bom fazer-Se o nosso companheiro perpétuo e permanecer conosco dia e noite sobre os nossos altares, como se não pudesse, nem por um instante, separar-Se de nós. Tal é o monumento que Ele nos deixou de Suas maravilhas (Sl 110).
Assim, pois, ó dulcíssimo Jesus meu, quisestes operar o maior dos Vossos milagres, a fim de satisfazerdes o excessivo desejo que tínheis de habitar sempre no meio de nós. E por que os homens, sabendo disto, fogem de Vossa presença? Como podem viver tanto tempo longe de Vós, ou visitar-Vos tão raras vezes? Como lhes parece um século o quarto de hora que passam na Vossa presença! Tão profundo é o tédio que ali sentem! Ó paciência do meu Jesus, como sois grande! Ah! Compreendo-Vos, Senhor; Vossa paciência é grande, porque o Vosso amor aos homens não tem limites; sim, esse amor é que Vos obriga a permanecer constantemente no meio desses ingratos.
Ó Deus infinito em Vosso amor, como o sois em todas as Vossas perfeições, fazei que no futuro eu não pertença mais ao número desses ingratos, como no passado! Concedei-me um amor proporcionado ao que Vos devo e ao que Vós mereceis. Houve um tempo em que eu também sentia tédio na Vossa presença, porque não Vos amava, ou Vos amava muito pouco; mas se com o auxílio da Vossa graça, chegar a amar-Vos muito, oh! Então farei consistir toda a minha felicidade em passar dias e noites inteiras ao pé dos Vossos altares, ó Pai Eterno, ofereço-Vos o Vosso divino Filho, recebei-O por mim; e por Seus merecimentos dai-me um amor tão ardente e tão terno ao Santíssimo Sacramento, que, sempre voltado para uma igreja onde Ele resida, eu não cesse de pensar nEle e de suspirar pelo momento em que possa ir gozar de Sua presença.
Jaculatória — Meu Deus, por amor de Jesus, dai-me grande amor ao Santíssimo Sacramento.
Agora reza-se a Comunhão Espiritual
