São Paulo louva a obediência de Jesus, dizendo que ele obedeceu a seu eterno Pai até à morte.
Ele se fez obediente até à morte (Fl 2, 8)
Mas, neste Sacramento, vai mais longe: quis ser obediente não só ao Pai Eterno, mas ainda ao próprio homem, e isto não só até à morte, mas até ao fim do mundo. Ele, o Rei do céu, desce sobre o altar à voz do homem, e parece aí ficar exclusivamente para obedecer aos homens:
Quanto a mim, diz ele, não resisto (Is 50, 5)
Ali está sem movimento próprio; deixa-se ficar onde O colocam, seja exposto na custódia, seja encerrado no cibório; deixa-se levar para onde O levam, às casas ou pelas ruas; deixa-se dar na comunhão a todos que O querem receber, ao justo como ao pecador. Enquanto vivia aqui na terra, diz São Lucas, Jesus obedecia a Maria Santíssima e a São José; mas, neste Sacramento, obedece a tantas criaturas, quantos sacerdotes há no mundo:
«Quanto a mim não resisto»
Permita-me que Vos fale, neste momento, ó Coração amantíssimo do meu Jesus, donde saíram todos os Sacramentos e, em particular, este Sacramento de amor. Eu quisera tributar-Vos tanta glória e honra quanto Vós tributais, em nossas igrejas, a Vosso Eterno Pai. Sei que, neste altar, me continuais a amar com o mesmo ardor com que na cruz destes a vida por mim, no meio de horríveis tormentos. Iluminai, ó Coração divino, para que Vos conheçam, aqueles que Vos não conhecem. Pelos Vossos merecimentos livrai do purgatório ou ao menos aliviai as almas que lá padecem e são Vossas esposas eternas. Adoro-Vos, agradeço-Vos e amo-Vos com todas as almas que neste momento Vos amam na terra e no céu. Ó Coração puríssimo, purificai o meu coração de todo o apego às criaturas e encheio-o de Vosso amor. Ó Coração dulcíssimo, apossai-Vos de tal modo de meu coração, que ele seja todo Vosso e de ora em diante possa doer:
«Nada é capaz de separar-me do amor de Deus que é em Jesus Cristo» (Rm 8, 35)
Ó Coração santíssimo, gravai em meu coração as penas tão amargas que por mim sofrestes durante os anos de Vossa vida mortal, a fim de que eu chegue a desejar ou ao menos a suportar pacientemente, por amor de Vós, todas as penas desta vida. Ó Coração humílimo de Jesus, ensinai-me a Vossa humildade. Coração cheio de mansidão, comunicai-me a Vossa doçura. Tirai do meu coração tudo o que Vos não agrada; convertei-o inteiramente a Vós, para que não queira nem deseje senão o que Vós mesmo desejais. Fazei, numa palavra, que eu viva só para Vos amar e agradar. Reconheço que muito Vos devo e sou obrigado; pouco seria se me sacrificasse e consumisse todo por Vós.
Jaculatória — Ó Coração de Jesus, Vós sois o único senhor do meu coração.
Agora reza-se a Comunhão Espiritual
