Se é coisa tão doce achar-se a gente em companhia de um amigo querido, será possível que nós, neste vale de lágrimas, não sintamos nenhum prazer na companhia do melhor dos amigos, dum amigo que pode encher-nos de todos os bens, dum amigo que nos ama apaixonadamente e que, por isso, quer entreter-se continuamente conosco? Pois bem; aqui, no Santíssimo Sacramento, podemos entreter-nos com Jesus à vontade, abrir-Lhe o nosso coração, expor-Lhe as nossas necessidades, pedir-Lhe graças; numa palavra, neste Sacramento adorável, podemos tratar com o Rei do céu com toda a confiança e singeleza.
Diz a Sagrada Escritura que José do Egito se sentiu sumamente feliz, quando Deus se dignou descer ao cárcere para fortificá-lo com a Sua graça:
A divina Sabedoria desceu com ele ao fosso, e não o deixou nas cadeias (Sb 10, 13)
Porém, muito mais felizes somos nós por possuirmos sempre no meio de nós, neste vale de lágrimas, o nosso Deus feito homem, que com tanto amor e compaixão, nos honra continuamente com a Sua presença real.
Quanto consola a um pobre encarcerado o amigo terno que vai entreter-se com ele, e o consola e reanima sua esperança, procura-lhe socorros e esforça-se por aliviá-lo no seu infortúnio!
Ora, eis aí o que é Jesus Cristo, nosso bom amigo, que do tabernáculo nos faz ouvir estas palavras consoladoras:
Convosco estou todos os dias (Mt 28, 20)
Eis-me aqui, diz Ele, todo para vós, vindo do céu à vossa prisão para vos consolar, ajudar e libertar. Acolhei-Me, permanecei comigo, uni-vos a Mim; deste modo não sentireis as vossas misérias; depois vireis comigo para o Meu reino, onde vos farei plenamente felizes.
Ó Deus, ó amor incompreensível, visto que quisestes ser tão bom para conosco, a ponto de descerdes do céu aos nossos altares para morardes no meio de nós, proponho-me visitar-Vos muitas vezes; quero gozar, quanto possível, da Vossa dulcíssima presença que faz a felicidade dos bem-aventurados no paraíso. Oh! Se eu pudesse estar sempre diante de Vós para adorar-Vos e oferecer-Vos atos de amor! Despertai a minha alma, eu vô-lo rogo, quando, entorpecido pela tibieza ou absorvido pelos cuidados da terra, me descuidar de visitar-Vos. Acendei em mim um grande desejo de estar sempre perto de Vós neste Sacramento. Ah! Meu amoroso Jesus, não Vos ter eu amado sempre! Não ter procurado sempre agradar-Vos!
Consolo-me ao pensar que ainda me resta tempo de o fazer não só na outra vida, mas nesta. Quero amar-Vos, sim quero amar-Vos verdadeiramente, ó meu sumo bem, meu tesouro, meu tudo. Quero amar-Vos com todas as minhas forças.
Jaculatória — Meu Deus, ajudai-me a Vos amar.
Agora reza-se a Comunhão Espiritual
