São João diz que viu o Senhor vestido de uma comprida túnica e cingido com um cinto de ouro (Ap 1, 13)
Assim é que Jesus se nos apresenta no Sacramento do altar, querendo com isto significar a multidão e o valor das graças que, na Sua misericórdia, deseja conceder-nos. Semelhante à mãe, que corre aonde está o filhinho para nutri-lo com seu leite, Jesus nos diz: Como filhos muito amados eu Vos apertarei contra o peito.
O Venerável Padre Álvarez viu Jesus no Santíssimo Sacramento com as mãos cheias de graças, procurando a quem distribuí-las. Quando Santa Catarina de Sena se aproximava da sagrada mesa, fazia-o — dizem — com a terna avidez duma criancinha que busca o seu alimento.
Ó Filho unigênito e muito amado do Pai Eterno, conheço que Sois o mais digno objeto do nosso amor. Por isso desejo amar-Vos quanto mereceis; ao menos tanto quanto uma alma pode desejar amar-Vos. Compreendo muito bem que, tendo sido assaz traidor e rebelde ao Vosso amor, não mereço amar-Vos nem estar perto de Vós como estou nesta igreja; contudo, sei que quereis o meu amor e ouço a Vossa voz que me diz: Meu filho, dá-me o teu coração. Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração. Reconheço que, se me conservastes a vida e não me precipitastes no inferno, foi para que eu me convertesse inteiramente ao Vosso amor. Já que ainda quereis ser amado de mim, eis-me aqui, ó meu Deus, a Vós me entrego, a Vós me dou. Amo-Vos, ó Deus todo bondade, todo amor, e escolho-Vos para único rei e senhor do meu pobre coração. Vós o quereis, eu vô-lo dou: é frio, é manchado, mas, se o aceitais, Vós o transformareis. Transformai-me, Senhor, transformai-me; não ouso viver mais, como no passado, tão ingrato e tão pouco amante da Vossa infinita bondade que tanto me ama e merece um amor infinito. Fazei que daqui em diante eu repare a falta de amor com que Vos tratei no passado.
Jaculatória — Meu Deus, meu Deus, eu quero amar-Vos; sim, eu quero amar-Vos.
Agora reza-se a Comunhão Espiritual
