Onde estiver o vosso tesouro, aí estará o vosso coração (Lc 12, 34)
Diz Jesus Cristo que, onde alguém julga possuir o seu tesouro, aí se acha também o seu afeto. Eis a razão por que os Santos, que não consideram nem amam outro tesouro fora de Jesus Cristo, depositam no Santíssimo Sacramento o seu coração e todo o seu amor. Ó meu amabilíssimo Jesus Sacramentado, Vós que, por meu amor, ficais dia e noite encerrado nesse tabernáculo, apoderai-Vos do meu coração, eu vô-lo rogo, para que não pense senão em Vós, não ame, não busque, não espere senão em Vós. Fazei-o pelos merecimentos da Vossa paixão; é por eles que eu peço e espero esta graça! Ah! Meu Salvador Sacramentado, amante divino da minha alma, quanto são amáveis as ternas invenções do Vosso amor para Vos fazerdes amar das almas! Ó Verbo eterno, não Vos bastou tomar a nossa natureza e morrer por nós na cruz, quisestes ainda dar-nos este Sacramento para serdes nosso companheiro, nosso alimento e penhor da glória celeste.
Apareceis no meio de nós, ora como menino num presépio, ora como pobre artífice numa oficina; aqui como criminoso num patíbulo, ali como pão sobre um altar. Dizei-me, ó Jesus: que mais podereis inventar para que Vos amem? Ó Deus infinitamente amável, quando começarei em verdade a corresponder a tantas finezas de amor? Senhor, não quero mais viver senão para Vos amar a Vós somente. E de que me serve a vida, se não a emprego toda em Vos amar e agradar, a Vós, meu amado Redentor, que destes toda a Vossa vida por mim? E que amarei eu, se não Vos amo, a Vós que sois todo belo, todo amante, todo amável? Que a minha alma, pois, só viva para Vos amar; que o meu coração se derreta à só lembrança do Vosso amor; e só de ouvir as palavras — presépio, cruz, sacramento — se inflame todo no desejo de fazer grandes coisas por Vós, ó Jesus, que tanto fizestes e padecestes por mim!
Jaculatória — Permiti, Senhor, que antes de morrer, eu faça alguma coisa por Vós.
Agora reza-se a Comunhão Espiritual
