Diz o piedoso Padre Nieremberg que o pão é um alimento que se consome, quando se come, e se conserva, quando se guarda: razão por que Jesus Cristo quis ficar na terra, oculto sob a espécie de pão, podendo assim unir-se, pela sagrada comunhão, à alma que O ama e, além disso, ser conservado no tabernáculo, para ficar presente no meio de nós, e recordar-nos por esta forma o amor que nos consagra.
São Paulo diz que Jesus Cristo se aniquilou a si mesmo, tomando a forma de servo (Fl 2, 7).
Mas nós, que devemos dizer, vendo-O tomar a forma de pão? Nenhuma língua, diz São Pedro de Alcântara, seria capaz de exprimir a grandeza do amor de Jesus por uma alma em estado de graça. Esta foi a razão por que, ao aproximar-se a hora de partir deste mundo, este esposo dulcíssimo, temendo que a Sua ausência o fizesse esquecido, deixou em lembrança à alma, sua esposa, este augustíssimo Sacramento, em que Ele mesmo reside. E, assim, não quis que houvesse entre ambos, para conservar sempre viva a Sua memória, outra garantia senão Ele mesmo.
Ó meu Jesus, já que estais encerrado nesse tabernáculo para dardes ouvidos às súplicas dos miseráveis que vêm pedir-Vos audiência, escutai hoje a oração que Vos dirige um pecador dentre todos o mais ingrato. Aos Vossos pés venho prostrar-me, arrependido e confuso, pois conheço o mal que fiz ofendendo-Vos. Ah! Meu Deus, oxalá nunca Vos tivesse eu ofendido! E agora sabeis o que desejo? Tendo conhecido a Vossa amabilidade infinita, inflamai-me de amor para conVosco; eu sinto um grande desejo de Vos amar e agradar; mas, se não me auxiliais, nada poderei fazer. Dai, pois, Senhor, dai a conhecer a todo o paraíso o Vosso grande poder e a Vossa imensa bondade; fazei que, de escravo rebelde, eu me torne um servo todo abrasado de amor para conVosco. Isto Vós o podeis e quereis fazer: Supri tudo o que me falta, a fim de que chegue a amar-Vos muito, a amar-Vos pelo menos tanto, quanto Vos tenho ofendido, ó Jesus, eu Vos amo sobre todas as coisas; amo-Vos mais que a minha própria vida, ó meu Deus, meu amor, meu tudo.
Jaculatória — Meu Deus e meu tudo.
Agora reza-se a Comunhão Espiritual
