Tradição Católica em Ariquemes, RondôniaFé • Formação • Oração • Missão
Brasão da Missão Regnum Mariae
Missão Católica
Missão Regnum Mariae
Para que venha o Reino de Cristo, venha o Reino de Maria
Monsenhor André Jean Marie Hamon

A Humildade, mãe e encanto da Caridade

Duodécima Semana depois de Pentecostes

Meditação espiritualMonsenhor André Jean Marie Hamon

Meditação para o Undécimo Sábado depois de Pentecostes

Duodécima razão de sermos Humildes

SUMARIO

Meditaremos sobre a duodécima razão de sermos humildes; é:

1.° Porque a humildade é a mãe da caridade;

2.° Porque é o seu encanto.

— Tomaremos depois a resolução:

1.° De tratarmos toda a gente com deferência e bondade, e de pormos a nossa felicidade nas delicadas atenções e obséquios que a caridade inspira, e a humildade pratica.

O nosso ramalhete espiritual será a palavra de São Paulo:

“Adiantai-vos em honrar uns aos outros” – Honore invicem praevenientes (Rm 12, 10)

Meditação para o Dia

Adoremos Nosso Senhor trazendo ao mundo a virtude da humildade, cujo nome lhe era desconhecido antes dWle, e com isto preparando-nos o caminho para a caridade, cujo reino vinha estabelecer sobre a terra. Demos-Lhe graças por este duplo benefício, e desejemos vivamente aproveitar-nos dele.

PRIMEIRO PONTO

A Humildade é a mãe da Caridade

Só quem é humilde, é capaz de ter sempre para com o próximo esta estima e consideração, esse respeito e deferência, que constituem a verdadeira caridade.

1.º A caridade, diz São Paulo, é paciente (1Cor 13); sofre tudo da parte dos outros e nenhum desgosto lhes faz sofrer. Ora a humildade obra assim, mas não a soberba, que é essencialmente impaciente, incapaz de sofrer a contradição, o desprezo, a falta de atenções (1).

2.° A caridade não é invejosa, nem ambiciosa; longe de invejar a felicidade dos outros ou de se entristecer com a sua prosperidade, deseja-lhes tanto como a si mesma; tem tão pouca ambição, que nada há, por mais vil e abjeto que possa ser, que não abrace de todo o coração por amor do próximo. Ora a humildade faz tudo isto com simplicidade, e a soberba não obra assim.

3.° A caridade, continua São Paulo, não se ensoberbece, não sabe o que é mandar com império, repreender com aspereza, falar com frieza, ainda menos tratar alguém com desprezo. Ora a humildade sobressai em todas estas santas coisas; a soberba obra inteiramente o contrário.

4.º A caridade é desinteressada (2), a humildade o é igualmente. Como não se estima a si e estima os outros mais que a si, antepõe sempre os interesses dos outros aos seus. A soberba pensa e obra de um modo inteiramente diverso.

5.° A caridade não se irrita (3); não se indigna, não se ira contra ninguém, qualquer que seja o desgosto que lhe causem. A humildade é capaz desta moderação, mas não a soberba.

6.° A caridade não pensa no mal, que lhe fizeram ou que lhe quiseram fazer; longe de o olhar como uma injúria e de procurar vingar-se, esquece-o, desculpa-o, e perdoa-o. Ora estas disposições encontram-se na humildade e não na soberba.

7.º Finalmente, a caridade, longe de folgar com as quedas do próximo, alegra-se de o ver adiantar-se nas veredas da justiça e excedê-la em virtude (4). Ora assim pensa e obra a humildade. Ao contrário, a soberba não tolera que os outros lhe sejam superiores ou preferidos, e não pode ouvir louvá-los sem os deprimir.

Examinemos, por estes sete caracteres, se uma sincera humildade nos tem inspirado uma verdadeira caridade.

SEGUNDO PONTO

A Humildade é o encanto da Caridade

Nada há mais amável que a companhia do homem verdadeiramente humilde. Como se reputa o último de todos, é cheio de deferência e atenções para com todos. Convencido de que ninguém lhe é obrigado, e que é obrigado a todos, honra e respeita toda a gente. Sofre a contradição, a desconsideração, o mesmo desprezo e vitupério, como coisas que lhe são devidas; parece que não repara nas faltas de atenção ou de deferência, nas palavras de censura ou de escárnio; e só lhes opõe maneiras afáveis, palavras benévolas, todos os bons ofícios que pode prestar-lhes. Tudo nele é humilde, modesto, simples, amável. Não se ofende de coisa alguma e desconhece o amor-próprio. Ora quem não compreende quão cheia de encantos é a companhia de um tal homem? É este o fruto da humildade.

Resoluções e ramalhete espiritual como acima

Referências:

(1) Inter superbos semper jurgia sunt (Pr 13, 10)

(2) Non quaerit quae sua sunt

(3) Non irritatur

(4) Non gaudet super iniquitate, congaudet autem veritate

(HAMON, Monsenhor André Jean Marie. Meditações para todos os dias do ano: Para uso dos Sacerdotes, Religiosos e dos Fiéis. Livraria Chardron, de Lélo & Irmão – Porto, 1904, Tomo VI, p. 103-105)

Fonte consultada

Texto de Monsenhor André Jean Marie Hamon, da obra publicada originalmente em Paris em 1881. Conteúdo consultado em Rumo à Santidade.